Após Carnaval, Nazaro traz tradição às ruas de Barreiras

Em média 150 pessoas participaram do evento cultural na quarta-feira de cinzas, mantendo a tradição centenária de enterrar o carnaval de Barreiras

Cheilla Gobi

O Nazaro reuniu na noite de Quarta-feira de Cinzas um grupo de foliões, em média 150, que manteve a tradição centenária de enterrar o carnaval de Barreiras, cidade localizada a 860 quilômetros de Salvador. O grupo se concentrou em frente ao Centro Cultural Rivelino Silva de Carvalho, às 20 horas, em seguida percorreu as ruas do centro histórico, atraindo a atenção de visitantes e moradores da cidade, com chegada à Praça do Coreto.

De acordo com Antonio Amorim que é um dos coordenadores do Nazaro, a tradição pode ser definida como o enterro simbólico do carnaval, quando foliões cobertos por lençóis brancos e com os rostos cobertos com capuzes se reúnem e correm pelas ruas da cidade.

“O evento cultural significa o enterro simbólico do carnaval, onde os nazarenos são almas que foram perdidas durante a folia e na quarta-feira de cinzas ficam espalhadas pelas ruas, essas almas seguem o cortejo e vão em busca da redenção,” explica Antonio.

Desde 13 de setembro de 2017, através da Lei 1.266, a festa de nazaro foi reconhecida como Patrimônio Imaterial Cultural de Barreiras. Por onde passam, os fantasiados gritam que Nazaro morreu do peido que deu. Muitos moradores se trancam em casa para não correr o risco de “tomar o banho” de ovos, e farinha de trigo, mas outros preservam a cultura de acompanhar a brincadeira, correndo e desafiando o Nazaro do início ao fim.

Hoje, os nazarenos jogam farinha de trigo, talco e ovos em pessoas que encontram nas ruas. Antes, eles jogavam excrementos de toda espécie, porém, com a chegada de muitas pessoas de fora, na década de 70, houve uma parada no Nazaro, pois aconteceram confrontos entre os participantes da brincadeira e novos moradores da cidade que desconheciam o costume, conforme relatos.

A tradição foi retomada no carnaval de 1985 de forma tímida, mas nos últimos anos a tradição tem ganhado força e apoio e tem atraído muitos participantes. Para sair de Nazaro é necessário ser maior de idade, ter condições de acompanhar o cortejo e ter o entendimento da tradição, é necessário também que o participante esteja com uma toalha, mortalha ou pano branco cobrindo todo o corpo.

“Muitos têm medo de serem atingidos pelos ovos e a farinha que são usados pelos nazarenos, esses itens representam a purificação das almas”, disse o coordenador.

Não há registro da festa em outro local, é uma característica barreirense. “O Nazaro é um movimento cultural protegido por lei e que o povo de Barreiras precisa conhecer e entender. Para aqueles que gostam do Nazaro, que sabem da sua história e seu sentido agradecemos, para aqueles que ainda não conhecem, mas que tem vontade de conhecer sinta-se a vontade, para nos procurar”, concluiu Antonio.

 


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