Entenda como estão se comportando as bolsas dos EUA na pandemia

Mesmo em meio à pandemia da covid-19, com os EUA contabilizando mais de 100 mil mortos, a Bolsa de Valores tem conseguido performance positiva e inclusive apresentou um resultado histórico no período. Impulsionado pela expectativa de recuperação da economia, o mercado de ações teve, em abril, o melhor resultado dos últimos 33 anos.

O recorde histórico aconteceu em dois principais índices mundiais que medem a temperatura da Bolsa de Valores de Nova York, o Dow Jones e o S&P 500, que acumularam 12,40% e 13,73%, respectivamente, de ganhos entre 1° e 30 de abril.

O Nasdaq Composite, que pondera as empresas de tecnologia, também teve um bom resultado no mês, o melhor entre os três, acumulando 15,5% no período.

Puxando a alta no S&P 500 estão as companhias de petróleo que, depois do rombo de março, registraram valorização com a ligeira alta da commodity, diante da expectativa de fim da guerra de preços.

Explicações para o resultado

A reação das bolsas de valores em abril tem explicação. O primeiro ponto foi uma importante queda do preço dos papéis dos setores que mais estão sofrendo com a crise, atraindo investidores de olho na opção de compra.

Além disso, foi no mês de abril também que o governo norte-americano lançou o pacote econômico trilionário para o enfrentamento dos impactos econômicos da pandemia. Isso fez a roda da economia voltar a girar de uma forma um pouco mais equilibrada.

A retomada das atividades econômicas em países que enfrentaram a crise antes, como a China, e o anúncio do cronograma de relaxamento das medidas de distanciamento social nos EUA também acenaram aos investidores como possibilidades de recuperação.

No entanto, é cedo para comemorações muito efusivas.

Apesar das boas perspectivas, o cenário ainda é bastante incerto, principalmente pelo acirramento das relações entre os governos das duas maiores potências mundiais: EUA e China.

Em maio, o presidente estadunidense Donald Trump culpou o país asiático pela disseminação proposital do vírus, alegando que o corona teria sido criado em laboratório. Em função dessa desconfiança, o líder do Executivo afirmou que não haverá mais redução das tarifas para exportações chinesas.

Declarações polêmicas como essa afetam diretamente o mercado de ações porque os investidores tendem a reagir a possibilidades de risco, ou seja, de perda de dinheiro.

E a reação deles é o que alimenta os índices econômicos que medem o mercado de ações. São os parâmetros, que contabilizam a variação do preço das ações na chamada “carteira teórica”, ou seja, o conjunto de ações de setores específicos.

Impacto em 2020 nos principais índices de ações

Quando o assunto é Bolsa de Valores, um dado domina toda e qualquer análise: os índices de ações. Entendê-los é fundamental para acompanhar o desempenho do mercado, especialmente para quem pretende investir em papéis de companhias.

É por meio deles que os investidores conseguem avaliar o desempenho de cada empresa. Seus valores são expressos em pontos e sua variação em percentuais.

Na Bolsa de Nova Iorque, há três principais: Dow Jones, S&P500 e Nasdaq. Cada um deles segue uma metodologia de cálculo bastante complexa, que não é o tema deste texto.

Porém, é necessário entender, mesmo que de forma resumida, a importância de cada um deles. Em um cenário de crise como o atual, as mudanças têm ocorrido de minuto a minuto e de forma bastante intensa. Conhecer essa movimentação é fundamental para determinar estratégias eficientes de investimentos nesses ativos.

O Dow Jones é o principal índice para acompanhar o comportamento da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Ele é composto pelas 30 empresas mais importantes da Bolsa e também da Nasdaq, que será detalhada adiante.

Trata-se do índice mais antigo do mundo, calculado por meio de pontos. Nele, as empresas com preço mais alto afetam mais a pontuação do índice. O primeiro trimestre de 2020 foi o pior de sua história desde 1987, com queda de 23%, consequência da pandemia.

Já o S&P 500 representa as 500 empresas mais relevantes da Bolsa de Valores norte-americana. Ele possui uma seleção diversificada de ativos e uma metodologia de cálculo diferente do Dow Jones.

O S&P 500 também sofreu os efeitos do medo provocado pelo novo coronavírus e enfrentou uma queda de 20% no primeiro tri, o pior resultado dos últimos dois anos.

Por fim, o Nasdaq Composite negocia as ações de tecnologia e é composto por oito índices que representam setores específicos. Foi criado pela necessidade de regular os mercados de Banca, Informática, Finanças, Empresas Industriais, Seguros, Transporte e Telecomunicações e torná-los mais transparentes e seguros.

Por ser um índice que reúne empresas de tecnologia, as menos impactadas pela crise, o baque registrado foi um pouco menor: redução de 14% nos três primeiros meses de 2020.


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