Faltando sete dias para o Carnaval, folia foi cancelada em Barreiras

O recurso que seria usado no evento carnavalesco deve ser aplicado em prioridades como o combate à dengue e na reconstrução de localidades destruídas pelas chuvas

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O anúncio foi dado na sala de reuniões da Prefeitura e reuniu a imprensa local, secretários de governo, vereadores e representantes de blocos (FOTOS: Cheilla Gobi/JGO)

Cheilla Gobi

Faltando apenas uma semana para o Carnaval 2016, a Prefeitura de Barreiras, no oeste da Bahia anuncia o cancelamento da folia. O principal motivo, segundo o prefeito em exercício, Carlos Augusto Barbosa (Paê) é a falta de condições financeiras, políticas, sociais e estruturais, devido os prejuízos causados em decorrência das fortes chuvas que caíram nos últimos dias.  O anúncio foi dado na manhã desta quinta-feira, (28/01), na sala de reuniões da Prefeitura.

 “Reconhecemos que o município de Barreiras, pela situação urbana e rural, está em situação de emergência e por esta razão decretamos o ‘Estado de Emergência’, pelo período de 90 dias. Diante desta situação, não existem condições para realizar o Carnaval da cidade e nenhuma outra manifestação cultural. Preferimos, com responsabilidade, assumir o ônus, priorizando a assistência às pessoas e a nossa cidade”, disse Paê destacando ainda que a decisão foi avaliada de forma companheira e responsável por toda a equipe do governo, em consonância e com respaldo do prefeito Antonio Henrique.

De acordo com o prefeito em exercício, o recurso que seria usado no evento carnavalesco deve ser aplicado em prioridades como o combate à dengue ou a reconstrução de localidades destruídasIMG_2531 pelas chuvas. A situação se agravou muito nas últimas 72 horas. Ruas até então estáveis, começaram a desmoronar, carros da coleta de lixo não conseguem chegar a diversas ruas para realizar a coleta.

Paê contou ainda, que o índice de infestação epidemiológica está controlado, mas a infestação do mosquito transmissor da Dengue, Chikungunya e Zika vírus pode se agravar com o volume de água e entulhos acumulados. “Neste momento, não nos resta outro caminho, senão o de integrar a sociedade em favor da cidade seja para reconstruir sua infraestrutura e, principalmente, na ajuda humanitária a população”, frisou Paê.

De acordo com o coordenador geral do Carnaval Pedro Antônio (Peu) a decisão não poderia ser outra. “Uma decisão difícil, porém acertada”.

O presidente do Bloco Allambick, Allan Kardec disse reconhecer os problemas que a cidade vem enfrentando, e pediu para que o governo fizesse bom uso dos benefícios que seriam usados para a realização da festa.  Ainda atordoado, Allan disse não saber o que fazer diante do prejuízo que ele terá com essa decisão. “É um momento muito difícil para mim, foram investimentos altos, um prejuízo imensurável, mas sabemos que é por uma causa justa. Como filho de Barreiras peço que o governo ajude realmente essas pessoas que estão necessitando”.

Aldo Sousa, presidente do Bloco Mordomia também compartilhou do mesmo sentimento do colega. “Iremos nos sacrificar em prol da nossa cidade e o nosso sentimento é que tudo seja revertido em benefício à população. Esperamos que no mínimo se cumpra tudo o que está sendo prometido e informado nesta reunião”, disse Aldo.

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Representantes de blocos

Providências imediatas

A Defesa Civil foi instalada e funcionará com uma central telefônica, com os números 3611-8038 e 3613-9583, e com técnicos de plantão na Vila Dulce, sob a coordenação do engenheiro ambiental e sanitarista José Leonardo Vanderlei Carvalho, servidor público de carreira. Também com recursos do município, será ampliada toda assistência às famílias desabrigadas ou em situação de risco.

Os serviços de saúde, educação, assistência social, serviços públicos, infraestrutura, meio ambiente serão intensificados e todas as secretarias do governo atuarão permanentemente para enfrentar, de forma emergencial, os problemas encontrados, sob a coordenação do prefeito em exercício.

Lugares mais afetados

São inúmeros os bairros afetados no município de Barreiras, mas segundo dados parciais levantados pela Secretaria de Ação Social, o bairro Santa Luzia e Serra do Mimo foram os que sofreram os maiores impactos. Só no bairro Santa Luzia foram em média 200 casas atingidas, Serra do Mimo cerca de 50. De acordo com informações do secretário de Serviços Públicos e Transporte, João Muniz, a água chegou a atingir um metro dentro das casas.

De acordo com levantamento prévio, para recompor a cidade e deixá-la como era antes, será preciso cerca de 13 milhões de reais.


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