Ato público contra redução do traçado da FIOL foi realizado em Barreiras

Prefeitos do Oeste, produtores e entidades representativas dizem que a obra é importante para o desenvolvimento da região e que a redução do traçado prejudicará diretamente todo escoamento da produção de algodão e grãos do cerrado baiano

 

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A ação teve como objetivo cobrar um posicionamento do governo federal e da Valec (Fotos: Cheilla Gobi/JGO)

Cheilla Gobi DRT-4871/BA

Liderado pelo prefeito de Barreiras, Antonio Henrique Moreira, o ato público em defesa da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol), realizado nesta terça-feira, (03/11), na Câmara de Vereadores reuniu forças em defesa da retomada das obras. A ação que teve como objetivo, cobrar um posicionamento do governo federal e da Valec contou com a participação do vice-governador da Bahia João leão, da sociedade civil organizada, a esfera política, empresários, produtores, entidades representativas e população dos municípios prejudicados.

Após analisar a situação de cada um dos três trechos do traçado de 1,5 mil km, previsto para cortar a Bahia, o Tribunal de Contas da união (TCU) recomendou aos Ministérios dos Transportes e do Planejamento que avaliem a possibilidade de construir apenas o trecho final do projeto, entre Caetité e Ilhéus, deixando o trecho Barreiras, São Desidério e Luís Eduardo fora do traçado da ferrovia, prejudicando diretamente todo escoamento da produção de algodão e grãos do cerrado baiano para o porto de Ilhéus e para o mundo.

O TCU pede que o governo reavalie o custo-benefício de levar adiante o trecho central da malha, de Barreiras a Caetité, com obras já em andamento, e o trecho inicial, entre Figueirópolis (TO) e Barreiras, onde nada foi feito.  Até mesmo o projeto do porto Sul desenhado para ser o ponto final da ferrovia foi deixado de lado.

O TCU aponta que há indicadores de viabilidade econômico-financeiro desfavoráveis, os quais demandam a reavaliação dos estudos de viabilidade da Fiol, conforme aponta matéria divulgada no dia 23 de outubro pelo Estadão. O TCU afirma que a avaliação é necessária por conta de fatores como atraso na entrega da obra, queda do preço do minério de ferro, aumento da taxa de juros e contingenciamento de recursos.

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“Apesar do TCU ter reconhecido esse equívoco é preciso mobilizar forças em defesa da ferrovia. Lutamos desde o início para incluir Barreiras, São Desidério e Luís Eduardo Magalhães na rota da ferrovia, e agora recebemos a notícia de que a obra será paralisada e que estamos fora? Não podemos aceitar que essa obra saia do traçado original!” evidencia Antonio Henrique.

O prefeito de Barreiras diz ainda ser contra manifestações, mas garantiu que caso seja necessário estará empenhado em prol da continuidade das obras da ferrovia. “Não gosto de manifestações, mas se for pelo bem da nossa região nós faremos. Espero que este primeiro movimento, chegue ao conhecimento das autoridades federais, para que percebam que esta ferrovia é importante para o desenvolvimento da região e da Bahia. Esperamos que tomem providencias!”, conclamou Antonio Henrique.

Ainda de acordo com prefeito de Barreiras, a região está integrada a grande fronteira agrícola do MATOPIBA que reúne os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, declarada pelo Governo Federal com uma das regiões mais produtivas do país e com largo potencial para o desenvolvimento integrado, portanto a logística é o principal desafio para impulsionar este processo.

O presidente da União dos Municípios do Oeste da Bahia (Umob), Marcelo Mariani declarou total apoio ao traçado original da Fiol. “Não podemos admitir a retirada desta obra da nossa região e a Umob está de forma incondicional em defesa deste projeto”, declarou Mariani.

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O ato contou com a participação do vice-governador João leão, a esfera política, empresários, produtores e entidades representativas

O futuro sobre trilhos

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A força produtiva quer garantir que haja uma logística de transporte melhor e mais eficiente no estado, para garantir que a produção tenha mais competitividade, movimente a economia, e que esses resultados reflitam de maneira positiva e determinante na distribuição de renda e na melhoria da qualidade de vida de todos os cidadãos.

“A cada ano perdemos na competitividade com relação aos outros países que possuem um sistema de transporte e logística melhor que o nosso. No entanto, fazemos parte desta luta, que é um sonho de todos nós produtores”, frisou o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Júlio Busato.

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O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras Moisés Schmidt, acredita que, para o estado crescer e se desenvolver, será necessário investimentos. “O agronegócio tornou o Oeste da Bahia reconhecido a nível mundial. Temos hoje uma produção em torno de 9 milhões de toneladas de grãos, e isso torna a região cada vez mais forte. Entendemos que a ferrovia é mais um dos investimentos necessários para esta região, e ela precisa vir, e já vem tarde! Portanto, não temos mais tempo para esperar”.

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O vice-governador João Leão, que sempre se mostrou o principal defensor da construção da ferrovia tentou tranquilizar a população. “Todos os projetos estão prontos e agora aparece um “maluco” para dizer que não tem viabilidade. Todos os estudos de viabilidade econômica foram feitos sim e aprovados pelo Tribunal de Contas da União, antes mesmo da licitação”, afirmou o vice-governador da Bahia.

Leão disse ainda acreditar em um novo parecer. “Vamos aguardar um novo parecer para que por meio da Ferrovia Norte-Sul, a Ferrovia Oeste-Leste permita o escoamento da produção da Bahia, além de servir de ligação com outras áreas produtivas brasileiras, mas precisamos correr atrás, pois se trata de um investimento muito grande e cada um deve fazer a sua parte”, alertou.

De acordo matéria publicada pelo Estado, no dia 22 de outubro, a ferrovia prevista para ser entregue em 2013, viu seu prazo ser dilatado em cinco anos. A obra orçada em R$ 4,3 bilhões já saltou para 6,5 bilhões.

Ato público tem plenário lotado (Foto: Cheilla Gobi/JGO)

Ato público tem plenário lotado 

 

 


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