Morre aos 91 anos o ícone da no Oeste baiano

aldo

Foto Reprodução

Jayme Modesto

Morre aos 91 anos, um dos maiores ícones da música e da cultura oestina, Aldo Diniz, conhecido em toda região Oeste e em vários estados do Brasil, pelo seu talento e afinidade com os instrumentos de sopros. Aldo Diniz nutria admiração, foi o maior saxofonista do século XX e XXI do Oeste da Bahia. Os demais, saxofonistas-tenores ou não, concordam em peso e sem hesitação.

Angical ficou menor dia 23 de junho de 2016 com a perda desse artista incomparável, que veio a óbito após ter sofrido uma queda na porta de sua residência e fraturado o fêmur. O seu sepultamento foi acompanhado por milhares de pessoas inclusive de Arrais – TO e moradores de Angical. O cortejo fúnebre foi acompanho pela Filarmônica Lira Angicalense e músicos da Charanga que visivelmente emocionados tocavam as valsas que o imortalizaram nas famosas serenatas pelas ruas de Angical.

Nas incontáveis apresentações de que participou acompanhado de sua Charanga, ninguém duvidava de sua habilidade e encanto com o seu velho Saxe Tenor. Durante muitos anos tocou em companhia dos seus dois filhos, Nizaldo e Zé Duque, já falecidos.

Exímio saxofonista atacava as notas com meiguice e fraseava as teclas graciosamente, soprando quase sem vibrato. Uma de suas características era mesclar elementos e dar um acento diferenciado nos arranjos, um músico extraordinário na órbita do romantismo. Com uma personalidade identificável à primeira vista. Sem sombra de dúvidas terá lugar na galeria dos grandes saxofonistas da Bahia.

Nos bailes e grandes festas da região, por muitos anos foi destaque especial. Autor de vários dobrados e poesias, Aldo deixa o seu nome gravado na história da cultura regional. Nos anos 60 ainda muito jovem, me lembro dos grandes bailes que animava no pequeno distrito de Brejo-Velho, hoje Brejolândia, que pertencia a Angical. Lá Diniz tem muitos parentes, construiu amigos, compadres e afilhados e conquistou famílias, além de um velho parceiro de serenatas, Melquiades Xavier (Guido). Tinha orgulho em dizer que tocou na festa de inauguração da capital federal, Brasília.

Quem foi Aldo Diniz?

Ana Ferreira/Secretária de Cultura de Angical

Nascido no dia 13 de julho de 1925, na cidade de Angical, Aldo Diniz filho mais novo do casal Guilhermino Diniz, natural de Angical. Família descendente do Estado Pernambuco e da Srª Messias Rocha Diniz, natural de Macaúbas-Bahia. Ingressou na música muito cedo, aluno do Maestro Mureco, aos 12 anos de idade. Tocou sua primeira festa e já fazia parte da filarmônica Lira Angicalense, onde permaneceu até os 20 anos de idade. Lavrador por profissão, mas músico por excelência. No ano de 1946 dois acontecimentos marcaram sua vida: primeiro o casamento com a Srª Elizete Ribeiro com que viria ter dois filhos, e a formação do Conjunto Musical a Charanga Aldo Diniz, que tocou por todas as cidades do Oeste baiano e também em outros estado do Brasil. No ano de 1947 nasceu seu primeiro filho, Nizaldo Guilherme Diniz, que mais tarde viria a ser músico. Em 1949 nasceu seu segundo filho, José Duque Diniz Sobrinho, que honrando a tradição também se dedicou a carreira musical. Aldo Diniz viajou por várias regiões do país chegando a se apresentar em Imperatriz no Maranhão, Três Lagoas em Mato Grosso, Arraias Tocantins, Brasília, onde junto com a Filarmônica Lira Angicalense tocou na inauguração da Capital Federal. Aldo se apresentou em dezenas de cidades do Estado de Goiás e da Bahia, fez parte também da Filarmônica de Barra, fez uma participação musical no filme “Doida Demais”, estrelado por Paulo Betti, José Wilke e Vera Fischer. Dono de um dom conhecido por poucos, Aldo Diniz é autor de inúmeros poemas e músicas.

Aldo Diniz se foi deixando seu legado de um homem ético e culturalmente esplêndido, e cabe a nós angicalenses cuidar da sua memória.

 


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