Neto Coité fala dos cem anos da Filarmônica nos estúdios do Programa Encontro Marcado

Cheilla Gobi

A Sociedade Filarmônica Lira Angicalense comemorou no mês de maio deste ano, 100 anos de existência. A banda filarmônica participa de eventos tanto em seu município como também em outras cidades, contando com músicos de diversas faixas etárias. “Nestes cem anos de história foi preciso inovar, sem perder as raízes”, explicou o maestro Durvalmerindo Neto Coité, durante entrevista ao Programa “Encontro Marcado”, gravado nesta terça-feira (22/08).

Fundada em 03 de maio de 1917 pelo maestro Durvalmerindo Bandeira Coité, conhecido como Mureco, a Lira Angicalense é patrimônio histórico e cultural pela sua relevante contribuição durante décadas, na formação musical profissional de crianças, jovens e adultos, além de projetar a cultura de Angical.

Neto Coité que aprendeu o ofício da música com seu avô Mureco deu continuidade ao trabalho, ele é maestro autodidata e procura ensinar partitura com a mesma dedicação e amor que seu avô tinha. Conforme Neto, seu avô deixou seu legado, com técnicas e conhecimento, bem como suas inúmeras composições. “Meu avô deu pontapé inicial, buscou conhecimento e ao retornar para Angical ele formou a Filarmônica, com instrumentos adquiridos em Salvador. Meu avô deixou um acervo enorme com mais de 300 composições, acredito que é a única Filarmônica da Bahia, que tem repertório próprio do seu fundador, com dobrado, marchas, frevos e sambas”.

Não é a toa que o município de Angical é conhecido como o berço da música no Oeste baiano. “Isso chegou a uma grandeza tão agradável que o município hoje exporta músicos para todo o Brasil”, destaca Neto.

O saudoso Mureco ensinou música por amor não cobrava de seus alunos nada em troca. Neto garante manter viva essa prática. “Mesmo enfrentando diversas dificuldades ao longo dos anos, os ensinamentos não tem custo algum para a população de Angical, bem como as nossas apresentações em Angical. Cobramos apenas, para apresentações em outras cidades, sendo uma parte para manter a Filarmônica e o restante é dividido entre os músicos”.

Para Coité, o segredo para continuar um trabalho por tanto tempo é sem sombra de dúvidas o amor pelo que faz. “O amor é que nos move e a força de vontade em querer fazer, pois temos o objetivo de formar os jovens para ingressarem na banda, para que o trabalho nunca acabe”, disse Neto destacando ainda que, a Lira trabalha a parte de teoria musical, com todos os instrumentos de sopro e percussão.

Na oportunidade, o apresentador recordou sobre Aldo Diniz, ele que foi o maior saxofonista do século XX e XXI do Oeste da Bahia e Neto concordou. “Aldo foi um grande nome da nossa música e fez parte da Lira Angicalense. Ele deixou sem sombra de dúvidas o seu espólio”, disse Neto.

Uma sede nova foi a prenda de centenário ideal para a Lira, que proporciona ensino musical gratuito a muitos jovens de Angical, tornando-se cada vez mais uma referência cultural na região Oeste. “Nossa sede foi reestruturada com o apoio da iniciativa privada. Fomos agraciados também com o apoio do governo federal que através de edital contribuiu para o suprimento das demandas materiais da banda. Temos hoje em média 50 instrumentos para auxiliar nas aulas, principalmente para as crianças que não tem condições de ter o seu próprio instrumento”, explicou o entrevistado.

Conforme o maestro, a falta de apoio por parte do poder público ainda é o grande desafio. “Os gestores públicos precisam compreender o significado do que a cultura representa para a alma humana, para a cidadania. Portanto, seria importante o engajamento dos gestores públicos com a cultura da nossa região”, finalizou Neto, lembrando-se do Memorial Durvalmerindo Coité, que foi construído e é mantido pelos familiares de Mureco.

No decorrer da entrevista, muitas foram às pausas para breves apresentações de alguns integrantes da Lira, Piter, Daniel e Rian, dando um toque todo especial a esta edição do programa.

MURECO

Fundador da Lira angicalense eprefeito em vários mandatos, Durvalmerindo também foi construtor de obras fundamentais em Angical, como a torre da Igreja matriz de Senhora Sant’ana, farmacêutico e também manipulador de fórmulas, aprendeu em Barreiras a  confeccionar  fogos de artifício que eram usados nas festas do município.


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