Os horrores da Segunda Guerra Mundial vão além do sofrimento humano

  • Militares presentes na homenagem à Eurypedes Pamplona- ex-combatente da Segunda Guerra Mundial.

    Jayme Modesto

    Há 75 anos o grito de liberdade ecoava na Itália, chegava ao fim a Segunda Guerra Mundial. O Brasil esteve no combate com mais de 25 mil homens e perdeu 451 que representaram o país até o último minuto de vida. A importante data lembrada como o Dia da Vitória está sendo celebrada e comemorada em vários países.

    São 75 anos, onde centenas de milhares de jovens soldados, marinheiros e aviadores deixaram seus países por uma causa justa, a liberdade. Muitos deles nunca voltariam e o heroísmo, a coragem e o sacrifício daqueles que perderam suas vidas nunca serão esquecidos.

    Os dias passados no front daquela terra estrangeira estão bem vivos na memória dos que ainda vivem. Muitos já não estão mais aqui. Os poucos remanescentes relembram, embora a dor insista em vir junto. Outros preferem não falar do assunto, principalmente com a família.

    Os que ainda existem entre nós são sempre lembrados e condecorações em eventos, organizados pelas três esferas dos legislativos e Batalhões das Forças Armadas. Aqui em Barreiras, um desses personagens importantíssimos da história da humanidade, já foi por duas vezes homenageado pelo Legislativo Municipal.

    Eurypedes Lacerda Pamplona foi homenageado com a Comanda 26 de Maio, na Câmara de Vereadores de Barreiras.

     

     

    O veterano da Segunda Guerra Mundial Eurypedes Lacerda Pamplona, nascido em 10 de junho de 1919, na antiga casa 29 da Rua Barão de Cotegipe, aqui em Barreiras. Com cem anos de vida seu Eurypedes tem muito que contar. Aos 18 anos incompletos incorporou ao Tiro de Guerra, primeira passagem pelo Exército Brasileiro por Barreiras, aprendendo lições de civismo e educação moral e cívica, boa conduta, além das instruções militares.

    Em 1939, mesmo ano em que eclodiu a Segunda Guerra Mundial, o jovem aventurou-se para tentar ganhar a vida no Rio de Janeiro, então capital federal. Em 31 de agosto de 1942, após os afundamentos dos nossos navios mercantes pelos submarinos nazifascistas, o Brasil declarou guerra aos países do eixo Berlim-Roma-Tóquio. Dois dias depois, na pensão onde residia seu Eurypedes recebia a carta que o reconvocaria às Forças Armadas.

    Pamplona incorporou-se ao segundo regimento de infantaria, o Dois de Ouro, onde passou por rigoroso adestramento e foi promovido a cabo. Nas vésperas de partir para a Europa foi transferido para o depósito de pessoal da Força Expedicionária Brasileira – FEB. Em novembro de 1944 partiu com 4.691 militares em direção à guerra. A missão era repelir as forças nazistas na Itália, em conjunto com o quinto Exército de Campanha Estadunidense.

    Eurypedes era atirador da metralhadora ponto 50. A missão não foi fácil, mas depois de muita batalha no dia 05 de maio de 1945, o cabo recebia a mais esperada noticia: Adolfo Hitller, líder nazista, havia se suicidado. O comando das forças alemãs na Itália havia se rendido e a guerra da Força Expedicionária Brasileira, acabado. No dia 17 de setembro, Pamplona e seus companheiros desembarcaram emocionados no Rio de Janeiro e no dia 30 do mesmo mês foi licenciado voluntariamente do serviço ativo para ingressar novamente na reserva do Exército Nacional, e logo após retornou para Barreiras.

    Familiares e amigos prestigiaram a homenagem.

    A  FEB foi uma força militar aero terrestre constituída na sua totalidade por 25.834 homens e mulheres, que durante a Segunda Guerra mundial foi responsável pela participação do Brasil ao lado dos Aliados na Campanha da Itália, em suas duas últimas fases – no rompimento da Linha Gótica e a Ofensiva Aliada final naquela frente.

    Tal força incluindo todos os rodízios e substituições eram formados por uma divisão de infantaria  completa, também batizada como 1ª DIE – 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, uma esquadrilha de reconhecimento e um esquadrão de caças. Seu lema de campanha “A cobra está fumando”, era uma alusão irônica ao que se afirmava à época de sua formação, que seria mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa.

    Os livros e filmes contam inúmeras histórias de sofrimento humano que são importantes para refletirmos sobre os horrores da guerra. Por mais que vejamos obras desta natureza, ainda é possível se surpreender com diferentes tipos de abusos, que vão além daqueles causados ao ser humano.

    É um equivoco dizer que a história humana foi moldada pela guerra. Mas essa afirmação também é precisa. Desde que o homem foi capaz de escrever relatos sobre as glórias das batalhas, elas foram imortalizadas. Guerras são travadas desde sempre pelos mais variados motivos: escassez de recursos, controle sobre áreas produtivas, comércio, fronteiras, ideologia, religião e, segundo Homero, até mesmo por causa de uma mulher.

    Muitas vezes nem sequer conseguimos entender direito o porquê dos conflitos e das justificativas abstratas como o “equilíbrio de poder” e a “luta pela liberdade”, que são empregadas como se explicassem tudo. Por mais que seja difícil entender o que faz as pessoas matarem umas às outras, o fato é que isso vem ocorrendo sempre, em todas as culturas e em todos os lugares do mundo. E duas guerras tomaram proporções tão descabidas que se tornaram os emblemas dos conflitos: a primeira e a segunda guerras mundiais.

    O objetivo aqui não é tentar entender as razões e as consequências destes eventos. Aliás, duas obras relativamente recentes do escritor Ken Follet trazem uma narrativa interessante sobre essas guerras na forma de romances. A primeira guerra mundial é tratada no livro “Queda de Gigantes” e uma das facetas da segunda guerra é coberta em “Inverno do Mundo”.


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