Prevenção ao suicídio foi tema de entrevista no Programa Encontro Marcado

O apresentador Jayme Modesto recebe o psiquiatra Francisco Honorato e o psicólogo Tiago Campos

Cheilla Gobi DRT 4871/BA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para um grave problema de saúde pública responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo, – o suicídio. Segundo a OMS, poucos países incluíram a prevenção ao suicídio entre suas prioridades de saúde e só 28 relatam possuir uma estratégia nacional para isso. A Organização Mundial da Saúde indica que o Brasil é o país com maior número de pessoas com transtorno de ansiedade e o quinto em número de pessoas com depressão.

Esse foi o tema debatido no Programa Encontro Marcado, na TV Câmara, gravado nesta sexta-feira (04/08), pelo psiquiatra Francisco Honorato e o psicólogo Tiago Campos.

Para o psiquiatra Francisco Honorato, o aumento do suicídio na população jovem hoje é um fenômeno mundial e afirmou que o suicídio é uma questão de saúde pública. “É saúde pública sim, não só o suicídio, mas a saúde mental de maneira geral”.

Conforme Dr. Francisco, o tema vem sendo trabalhado de forma mais intensa em Barreiras, desde 2015 com intuito de alcançar a diminuição nesses dados que segundo ele, são assustadores.

O psiquiatra falou da importância em se debater o assunto de forma responsável sem promovê-lo. “Existe uma cultura de que falar de suicídio estará estimulando outras pessoas à prática, só que os estudos feitos nos últimos anos vêm mostrando o contrário. Quanto mais as pessoas ouvem falar, mas elas procuram ajuda e conseguem reverter o quadro”, explica o entrevistado.

Para o psicólogo Dr. Tiago Campos abrir um espaço na mídia para falar sobre esse assunto é um avanço muito grande. “Precisamos de oportunidades assim para levarmos informações com qualidade, informações seguras, com intuito de combater esse mal que assola a nossa sociedade de maneira tão silenciosa”, reforçou Tiago destacando ainda que é recente a iniciativa da Organização Mundial de Saúde de chamar a atenção das instituições para que se trabalhe essa questão. “Nos últimos anos tem aumentado o interesse na busca de informações sobre o assunto e inclusive foram lançadas cartilhas orientando tanto profissionais da saúde como também de mídias de como abordar o tema de forma responsável, visando sobre tudo a prevenção”, frisou o psicólogo.

Conforme os dois profissionais entrevistados, as causas para o suicídio são complexas, mas alertaram que estudos mostram que praticamente 100% dos casos, o indivíduo sofre com algum transtorno psiquiátrico.

Entre os inúmeros transtornos, os profissionais citaram a depressão, sendo esta considerada um transtorno de humor responsável por uma média de 30 a 40% dos casos de suicídio. “Independente de qualquer transtorno, é importante salientar que há tratamento”, alerta Tiago.

Dr. Francisco garante que aqueles que procuram tratamento conseguem reverter essa situação. “Na verdade a pessoa não quer se matar, ele passa por um sofrimento e acaba tendo um sentimento ambivalente, e ele não sabe discernir o que é morrer e o que é viver”.

Na oportunidade, os profissionais destacaram alguns sinais de um suicida, e logo em seguida falaram da importância da família no processo. “A família deve estar atenta principalmente a mudanças no comportamento como por exemplo: a pessoa começa a se isolar, a ter um comportamento mais agressivo, a perder o rendimento no trabalho ou na escola, deixa de fazer atividades que antes eram fontes de prazer. É importante ficar atentos a estes sinais e procurar logo tratamento. A família quando engajada no processo terapêutico é um forte fator de proteção”.

Conforme Dr. Francisco são muitos os pedidos de socorro, mas que muitas vezes a família não consegue identificar. “Ouvimos muitos pedidos de socorro como, por exemplo, – a vida não vale mais a pena, eu sou um peso para meus familiares, ninguém gosta mais de mim, são palavras que soam como sinais de alerta e que precisamos estar atentos”, disse Francisco acrescentando ainda que o principal fator de risco para o suicídio são os antecedentes.

Estudos científicos mostram que a incidência do suicídio ocorre com mais frequência na faixa etária de 15 a 35 anos. “É uma fase de transição da idade da adolescência para a fase adulta”, disse Francisco.

O idoso também pode sofrer, pois passa por essa transição e com ela muitas mudanças em sua vida. “O idoso tinha uma vida produtiva, tinha família, e de repente passa a viver de aposentadoria, a atenção dos filhos fica restrita, não sendo mais como era antes e acabam se sentindo solitários, e isso contribui muito na incidência dos casos também nesta faixa etária”, explicou Francisco.

Na ocasião, os entrevistados falaram sobre o trabalho que vem desenvolvendo em Barreiras para a prevenção do suicídio. “Temos uma comissão que faz um trabalho contínuo de prevenção, durante todo o ano, em setembro, mês dedicado à prevenção, intensificamos os trabalhos”, frisou Francisco.

Conforme os entrevistados, no mês de setembro será realizada uma grande campanha e falaram do amarelo como cor dedicada à prevenção do suicídio. “Percebemos que as pessoas têm abraçado essa causa voluntariamente. Nosso intuito principal é a prevenção, portanto objetivamos a organização do sistema de notificação, bem como um núcleo de acolhimento, mesmo sabendo que precisamos de apoio principalmente por parte do poder público, para que consigamos tirar o projeto do papel”, articulou Francisco.

“Deve haver essa mobilização para que as pessoas percebam e se atentem a esse problema”, concluiu Dr. Tiago.

O dia 10 de setembro é o dia mundial de prevenção contra a o suicídio. Em Barreiras, a grande caminhada será no dia 29.

O Programa Encontro Marcado, apresentado por Jayme Modesto vai ao ar todos os dias ao meio dia e às 20 horas, no canal 4.1, TV Câmara.


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