Rio Grande recebe devotos para homenagear Iemanjá e Oxum

Festa tradicional que celebra a rainha do mar e a rainha da água doce acontece desde 1976, em Barreiras

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Devoto deposita oferendas para Oxum e Iemanjá (FOTO: Cheilla Gobi/JGO)

 

Cheilla Gobi

Centenas de fiéis e admiradores se vestiram de branco nesta terça-feira, 02 de fevereiro e foram ao Rio Grande, no cais de Barreiras, depositar oferendas como espelhos, joias, comidas, perfumes e outros objetos às rainhas das águas, Oxum e Iemanjá.

As embarcações chegaram com as imagens dos Orixás, Iemanjá, Oxalá e Oxum que foram recepcionadas pelos adeptos dos terreiros e outras pessoas ao som de atabaques e cânticos entoados por representantes dos terreiros de candomblé, com louvor, atitude de respeito e sincretismo. Em seguida, na Praça Landulfo Alves, os participantes acompanharam as manifestações realizadas pelos representantes dos terreiros.

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As embarcações com as imagens de Iemanjá e Oxum (FOTO: Cheilla Gobi/JGO)

O festejo de Iemanjá teve uma novidade este ano. A tradicional festa foi aberta na noite de domingo, 31, durante evento realizado pela Associação Barreirense de Umbanda e Candomblé na Câmara de Vereadores de Barreiras. Na segunda-feira (01), uma roda de conversa sobre o tema “o canto das sereias: histórias do encontro de Oxum e Iemanjá nas águas do Rio Grande” foi realizada na Ufob. Representantes de terreiros de umbanda e candomblé participaram do evento, aberto ao público acadêmico e externo, sendo a programação encerrada na data oficial da festa, 02 de fevereiro, com uma grande roda (xirê), com pais e mães de santo, simbolizando a união de todos.

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Centenas de devotos e admiradores participaram das homenagens (FOTO: Cheilla Gobi/JGO)

“O nosso objetivo foi fazer um modelo festivo da festa, levar a história para dentro das universidades, para o público externo com intuito de mostrar que Barreiras tem história, tem axé, que o povo de santo está presente há mais de 40 anos e o resultado foi satisfatório, foi um passo muito importante”, disse Willian Diemes adepto do candomblé, do Abassá de Catendê de mãe Sônia, um dos organizadores.

Para a filha de terreiro, Ana Cássia Gonzaga da Casa Branca de Oxalá é um dia de grandes homenagens. Segundo ela não pode faltar a água de cheiro para atrair a paz, saúde e libertação. Emocionada, Ana disse ter passado por momentos difíceis, de aflição e que graças a rainha das águas recebeu a cura.

“Estive muito doente e fui remitida pelas graças de Iemanjá. Fiz um ano de tratamento, mas os médicos não descobriam qual era a doença. Milagres acontecem em qualquer lugar, basta ter fé, e ser merecedor. Portanto hoje a gente celebra a fé, comemora o povo de santo, festeja este evento tão bonito, uma manifestação que está em nossos corações”, disse a filha de santo.

A homenagem

IMG_3322A tradição de homenagear Iemanjá, em Barreiras, acontece há 40 anos por iniciativa popular. No início, as oferendas feitas pelos centros espíritas, eram realizadas de forma tímida. Cada grupo comemorava isoladamente a data.  “Começamos esta festa com poucos terreiros. Fizemos a primeira entrega ainda em 1976, de forma tímida e hoje a gente percebe o quanto cresceu, e a cada ano a manifestação se torna ainda mais bonita”, disse Dilson Dias Almeida, popular Mestre Nêgo.

O Dois de Fevereiro está incorporado ao calendário cultural de Barreiras, e é realizado todos os anos pela Prefeitura, através da secretaria de Cultura, Esporte e Lazer em parceria com as demais secretarias, mas este ano a festa popular foi organizada somente pelos grupos dos terreiros de umbanda, de candomblé, areeiros e percussionistas, devido o município ter decretado estado de emergência.   Em média 13 terreiros participaram de forma efetiva da organização da festa.

“Isso mostra a força dessa organização e é com certeza um enriquecimento para a nossa cultura. Apesar da Prefeitura não ter organizado a festa como nos anos anteriores não deixamos de dá apoio e percebemos que a festa não foi diferente. Parabéns pela iniciativa e pelo fortalecimento dos grupos. Foi uma festa muito bonita!”, disse o prefeito em exercício, Carlos Augusto (Paê).

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A concentração para a festa, no cais da cidade teve início às 15 horas. Às 16 horas o cortejo terrestre saiu em direção à Praça Landupho Alves (FOTO: Cheilla Gobi/JGO)

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Representantes de terreiros e centros umbanda fizeram suas oferendas (FOTO: Cheilla Gobi/JGO)

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A programação foi encerrada na data oficial da festa, 02 de fevereiro, com uma grande roda (xirê), com pais e mães de santo, simbolizando a união de todos (FOTO: Cheilla Gobo/JGO)


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