Livro recomendado como essencial pelo Estadão será lançado em Formosa nesta quinta-feira

  • Texto: Almerice Rodrigues
    A Prefeitura de Formosa do Rio Preto, através da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, e a editora Ateliê Editorial promovem nesta quinta-feira (15/08) o lançamento do livro “O Língua” do escritor formosense Eromar Bomfim, conhecido por seus conterrâneos como Mazinho. O evento, com entrada gratuita, acontece às 19 horas, na Câmara de Vereadores e terá bate-papo com o autor e sessão de autógrafos.
    Obra literária recomendada pelo caderno de cultura “Aliás” do jornal Estadão como um dos “dez livros essenciais” entre os lançamentos brasileiros e estrangeiros em janeiro de 2019, o romance traz, em um enredo de ficção, elementos históricos da formação do povoamento da Bahia. Entre os cenários apresentados do território baiano, está os Gerais do Rio Preto, no Extremo Oeste, inspiração também para a construção de personagens.
    O livro é fruto de uma pesquisa e Eromar detalha que “A história se passa em vários pontos da Bahia, mas a narração é feita por quatro personagens que são moradores nos Gerais do Rio Preto. Eles são oriundos de um tempo antigo e falam do passado. Isso permite ao leitor o retorno às origens do povoamento da Bahia e aos inúmeros conflitos que pontuaram esse povoamento”, conta.
    “Para nós é um grande orgulho ter um formosense com esse potencial e qualidade na literatura brasileira, despontando no cenário nacional e levando junto o nome do nosso município. Parabéns ao Mazinho pelo excelente trabalho e muito obrigado por escrever sobre nossas origens e nossa gente”, enalteceu o prefeito Dr. Termosires Neto.
    Na obra, trata-se sobre o brasileiro original, o objetivo é traçar como é que surge a sociedade baiana. O personagem Língua é um mameluco, filho de um português com uma índia e é, portanto, o primeiro brasileiro.
    O lançamento já é considerado o “Evento Cultural do Ano” em Formosa do Rio Preto. “Será imperdível, pois, além de prestigiarmos essa importante obra de alguém que é de nossa terra e que já é um sucesso na crítica literária nacional, será uma oportunidade de incentivar a leitura e a produção de novos escritores em Formosa”, destaca a secretária de Cultura, Luciana Bispo reforçando o convite para que todos participem do mesmo.
    Eromar Bomfim nasceu em Formosa do Rio Preto (BA). Filho de comerciantes, aos 13 anos de idade, mudou-se com a família para São Paulo. Estudou Letras na USP, com pós-graduação em literatura brasileira. Publicou o romance “O Olho da Rua”, pela Nankin Editorial, em 2007, e “Coisas do Diabo Contra”, pela Ateliê Editorial, em 2013 e, agora, O Língua, também pela Ateliê Editorial.
    Sobre “O Língua” – Conforme a apresentação da história no próprio livro, Os narradores do romance são alguns representantes dos ancestrais dos indígenas do Nordeste, mais especificamente dos povos milenares que habitavam os sertões centrais da Bahia, e se refugiaram nos gerais do Rio Preto, que têm suas nascentes no extremo Oeste do Estado. Vivem ali, à beira dos brejos, desde que lhes fizeram guerra os portugueses pela posse das terras para suas fazendas de gado e exploração de minérios.
    Eles se encontram em reuniões rituais e narram a história de suas vidas, que no passado se entrelaçaram. Narradas em primeira pessoa, o ponto de convergência dessas histórias individuais é a história de Leonel, mameluco, primeiro brasileiro, como ensina Darcy Ribeiro. Ele nasceu de uma união violenta de Antônio Pereira, fazendeiro e padre, destruidor de povos indígenas, com a menina Ialna, por ocasião de um assalto a uma aldeia anaió.
    Após viver com o filho durante a infância dele, Ialna perde-o para os padres jesuítas, que o mandam mais tarde para a frente de batalhas, para lutar contra seu próprio povo, ensejando uma das maiores tragédias do povo indígena e, afinal, do próprio povo brasileiro, já que a traição de Leonel parece ter cavado uma divisão até hoje insuperável na sociedade brasileira.
    Em “O Língua”, Eromar Bomfim restaura essa resistência através de um esforço de empatia com a experiência dramática desses povos, de onde resulta não o documento histórico, mas os sinais de uma verdade humana que só uma história psicológica, intuitiva e artística tem o condão de revelar.
    Fotos: Divulgação


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